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Os anos 2000 estão mais vivos do que nunca na moda!

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A moda e a música anunciam a volta dos anos 2000 com muito brilho, jeans e cintura baixa.

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(Steve Reigate/Getty Images)

Você pode estranhar à primeira vista, negar a realidade que se aproxima, mas a moda e a música se juntaram mais uma vez para ficar Crazy in Love pelos primeiros anos da virada do milênio. Olhar para trás pode ser tarefa difícil, a gente sabe – ainda mais quando o assunto é estilo e o passado é super-recente –, mas comece a rebobinar essa fita, separe as borboletinhas de cabelo e o gloss para os lábios porque, sim, os anos 2000 estão mais vivos do que nunca.

Alexa Chung, por exemplo, avisou que as “calças saint tropez” são a sua maior aposta em silhueta daqui para a frente. O look full jeans saiu do armário há um tempo, desencavando uma imagem de Britney Spears com Justin Timberlake lá de 2001. Tudo isso enquanto Kendall Jenner decidiu comemorar o seu aniversário usando o mesmo microvestido prata que Paris Hilton vestiu há 15 anos – aquele, desenhado por Julien Macdonald, bem pelado mesmo.

As pistas também entram em completo revival. As raves, antes reservadas aos sítios, vêm com as suas batidas eletrônicas para os pontos mais escondidinhos dos centros urbanos. Os bons e velhos hits do pop, de Gwen Stefani a Shakira, retornam como uma espécie de nostalgia para quem quer descer até o chão e as portas das baladas se reabrem para o R&B sentimental e cheio de flow, com a galera soltando a voz em coro quando começa a tocar um refrão de Ne-Yo ou Ciara, no seu 1, 2 Step.

Fica fácil entender esse flashback com uma boa playlist em mãos. Dê o play, ou o replay, no próprio Crazy in Love, de Beyoncé com Jay-Z. Esse clipe icônico tem várias referências que voltaram a ter um momento nas ruas e nas passarelas: a cintura ultrabaixa – uma versão popozuda do tomara que caia –, o boné trucker e o salto bico fino, o cinto de strass e as joias de vestir, a frente única e o beachwear usado na calçada.

Esses são só alguns exemplos do tamanho da mistureba. O remix 2000, nos dias de hoje, pode parecer uma imagem confusa e até mesmo exagerada, mas ele evidencia como esse momento na moda foi um importante período de aceitação de estilos. Na época, a logomania 1990 caiu, com sua adoração pelas marcas, para ceder espaço às customizações de todos os tipos, aos visuais de nicho e a tudo o que parecesse reflexo de personalidade.

Rolou o núcleo mais dado à rua, por exemplo, com influências dos skatistas e do hip-hop. Nas roupas, hoje, você vê essa esfera nas camisetas e calças oversized com estampa localizada. Nos acessórios, dão o tom o chapéu bucket, assim como o desfilado no verão 2018 da Cotton Project, e os óculos finos e de lentes coloridas, iguais aos que Jana Rosa vem fazendo para a sua Agora que Sou Rica. Os tênis também são específicos nessa parcela dos 2000. Você se lembra dos modelos megaesportivos, com solados avantajados em molas ou espumas? Eles podem assustar, mas têm sido reeditados por grifes como Balenciaga, Dior Homme e Vetements.

Quem na década foi a garota emocore ou a punk fofa das galerias do centrão de São Paulo, na linha Avril Lavigne, também hoje pode tirar do seu armário o All Star preferido, o xadrez quadriculado e a meia arrastão. Dê uma olhada no street style mundo afora porque ele mostra como o resgate destes itens tem sido feito pelas fashionistas. O pack de colaborações entre Vans e a À la Garçonne e o desfile de Felipe Fanaia na Casa de Criadores passam por esse mood.

O clima “patricinha” tem igual espaço nesse retorno. Sintonize Paris Hilton, Nicole Richie e o extinto programa The Simple Life. Vem daí detalhes como os brilhos, as boinas e as camisetas baby look, estampadas com desenhos e frases engraçadas. A barriga de fora está nessa rota, assim como o jeito “mauricinho” praieiro, que aparece renovado, engraçado e cool nos desfiles masculinos de Jonathan Anderson, Alex Mullins e Louis Vuitton, nas camisas de manga curta tropicais e nos colares suvenir de areia.

Paris e Nicole Richie em 2001 com look total jeans (David Klein/Getty Images)

 

O movimento atual é uma reedição de todas essas coisas, com um pouco de distanciamento. Às vezes, é divertido. Às vezes, mostra o ridículo de certas ideias. Às vezes, é uma crítica bem-humorada. E às vezes é vontade de mergulhar no nonsense por algumas horas de fashion descontrol.

Rihanna, por exemplo, deixa o conjunto de veludo jogging bem contemporâneo e menos bobo, até porque, como diziam as Destiny’s Child, ela tem “street credibility”, ou seja, propriedade para repensar a vibe rua. Garotas locais, como Luana Dornelas e Victoria Carolina, pegam o estilo de ontem para se divertir hoje. Novos nomes da música seguem esses passos através do som. Você precisa ouvir a inglesa Charlie XCX e a norte-americana Kelela – o seu clipe LMK é um bom exemplo de tudo isso.

Entre uma risada e outra, rememorar fotos dos anos 2000 é resgatar coisas boas, mesmo que a gente acabe se deparando com algumas estéticas que devem ficar enterradas – como a obsessão pelo padrão de beleza de supermagreza e a incessante fixação pelos cabelos alisados à base de produtos químicos e outras ferramentas agressivas. Que tudo isso Rest in Peace, enquanto a gente segue com a parte fun. Junte os melhores samples na inspiração e use essa loucurinha estética toda com muito humor – a seu favor.

 

 

 

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